Por que ficção agora?
- Monica March
- há 18 horas
- 2 min de leitura

Depois de compartilhar experiências reais em Amando o Amor de Alguém, Não Quero Ser Mãe e Tudo Bem, e explorar sentimentos por meio da poesia em palavreio, muitos me perguntaram: por que ficção agora?
A resposta não é simples, mas começa com uma descoberta: existe uma liberdade única em criar personagens, em construir mundos que nascem da imaginação mas carregam verdades profundamente humanas.
Durante anos, escrevi sobre experiências reais. Cada palavra estava ancorada em vivências concretas — a complexidade dos relacionamentos, a decisão de não ter filhos, os processos de cura e recomeço. Eram histórias verdadeiras, muitas vezes difíceis de compartilhar, mas necessárias. A poesia me permitiu fragmentar essas experiências, transformá-las em versos que capturavam a essência.
Mas a ficção? A ficção abriu portas que eu nem sabia que existiam.
A Liberdade de Criar
Em A Banheira no Apartamento 8, não estou mais limitada pelo que aconteceu. Posso explorar o que poderia acontecer, o que talvez aconteça, o que nunca aconteceria mas que, de alguma forma, revela verdades sobre nós mesmos.
Os personagens ganham vida própria. Eles fazem escolhas que eu não faria, vivem situações que imagino mas não vivi, sentem de maneiras que reconheço mas que não são minhas. E é justamente nessa distância entre autora e personagem que surge algo mágico: a possibilidade de explorar a condição humana de ângulos completamente novos.
Curiosamente, ao me afastar da minha própria história, sinto que posso tocar temas ainda mais universais. A ficção permite que eu explore questões sobre relacionamentos, escolhas, consequências e transformações sem o peso da autobiografia.
Não que meus livros de não-ficção sejam menos universais, muito pelo contrário. As mensagens que recebo mostram como tantas pessoas se identificam com essas histórias reais. A ficção oferece um tipo diferente de espelho. O leitor pode se ver nos personagens sem a necessidade de comparar suas experiências com as minhas. É uma conexão mais livre, mais aberta à interpretação pessoal.
Influências que Permanecem
Tudo que escrevi antes está presente neste novo trabalho. As reflexões sobre amor e relacionamentos, as questões sobre escolhas pessoais e pressões sociais, os processos de transformação, a sensibilidade com as palavras — tudo isso permeia a narrativa de A Banheira no Apartamento 8.
A diferença é que agora esses elementos se misturam com pura imaginação, criando algo que é ao mesmo tempo familiar e completamente novo.
A ficção passa longe de ser um afastamento das minhas raízes como escritora. É muito mais uma expansão, uma nova forma de explorar as mesmas questões que sempre me moveram: como amamos, escolhemos, nos transformamos.



Comentários